terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
23 de abril: Dia Mundial do Livro
Segundo o Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, o Dia pode ser inserido no contexto da Década das Nações Unidas da Alfabetização (2003/2012), cujo tema, “Alfabetização é Liberdade”, destaca o efeito emancipatório dos livros. “Esses laços são essenciais, especialmente se considerarmos o livro como principal meio para ensinar homens, mulheres e grupos sociais mais marginalizados a ler e a escrever em um mundo onde um entre cada cinco adultos são analfabetos.”
A data de celebração do Dia Mundial do Livro, escolhida em função da morte de três grandes escritores da história em 23 de abril de 1616 – Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Inca Garcilaso de La Veja –, também é o marco de sucessão entre as cidades anualmente escolhidas como Capital Mundial do Livro, título lançado pela UNESCO em 2001. Este ano, Beirute (Líbano) assume o posto de Amsterdam (Países Baixos).
Além de Beirute e Amsterdam, foram escolhidas como Capital Mundial do Livro as seguintes cidades: Madrid (Espanha, 2001), Alexandria (Egito, 2002), Nova Deli (Índia, 2003), Antuérpia (Bélgica, 2004), Montreal (Canadá, 2005), Turim (Itália, 2006) e Bogotá (Colômbia, 2007).
domingo, 8 de março de 2009
Florestas (de idéias) ameaçadas
O que faz a delícia de quem ama livrarias é curtir as suas idiossincrasias e especialidades -- e se familiarizar de tal forma com a disposição dos livros que consiga até achar o que não está procurando. Há duas semanas, escrevi sobre um delicioso livrinho chamado “Hotel Yoga”, que descobri na Travessa. Pois “descobrir” é o verbo certo: o coitado não é best-seller, não saiu por nenhuma grande editora, não teve uma linha de publicidade em lugar algum. Eu sequer sabia da sua existência!
Ora, o que permite toda essa bibliodiversidade não é, evidentemente, a venda dos “Hotel Yoga” da vida, mas a dos best-sellers. Os livros que permanecem indefinidamente na lista de mais vendidos são o motor do mercado: saem sozinhos, aos montes, e com isso permitem aos livreiros o luxo de manter em estoque não só aqueles deslumbrantes livros de arte que folheamos platonicamente, como todo o rico caldo de cultura formado pelos clássicos, pela poesia, por livros menos conhecidos mas nem por isso menos interessantes. Em suma, o vasto conjunto que dá a cada livraria o seu jeito particular de ser, já que a massa uniforme dos best-sellers encontra-se até no supermercado.
Pois aí está, justamente, uma das grandes ameaças ao meio-ambiente livreiro. Um caso recente e exemplar é o do formidável “1808”, de Laurentino Gomes, que custa cerca de R$ 40, e que passou o carnaval a R$ 9,90 num empório online. Parece ótimo negócio para o consumidor, e é mesmo, mas apenas a curtíssimo prazo. “1808” é vendido às livrarias por cerca de R$ 25. Com o lucro da venda de um único home theater o tal empório recupera o prejuízo e segue feliz. Já a livraria, que não vende nada além de livros, está frita: ninguém precisa ter PhD em economia para saber que vender a R$ 9,90 algo que se comprou a R$ 25 é péssimo negócio.
Tá, dirão vocês, e nós com isso? Quem é o idiota que vai dar R$ 40 por um livro que pode comprar a R$ 9,90? As livrarias que se virem! É verdade. Só que, não tendo como se virar, as livrarias vão mudar de ramo. Vão passar a vender yogoberry, lingerie ou celulares. Problema das livrarias, certo? Errado: os livros que vendem pouco e que precisam das livrarias para alcançar o público raramente chegam às megastores -- se é que chegam. E como o mercado é feito de reações em cadeia, as pequenas editoras que os publicam, e que muitas vezes têm a audácia e o jogo de cintura que as grande já perderam, vão ficando pelo caminho.
Por mais que eu não resista a uma boa oferta e adore comprar pela internet, tenho calafrios ao imaginar um mundo sem livrarias, ou um mundo de livrarias de best-sellers, todas igualmente destituídas de personalidade, como as livrarias de aeroporto. Brrrrrrrrrr!!!
* * *
Conversando com amigos livreiros, descobri que esse caso do “1808” pode ser ainda mais perverso do que eu imaginava. Aparentemente, há editoras que vendem lotes de livros abaixo do preço para conquistar a boa vontade de mega vendedores para futuras encomendas. Se assim é, estamos não só diante de uma bizarra prática de autodumping, mas de um tiro no pé potencialmente suicida. A memória de um país, a sua força intelectual e a sua cultura literária dependem da diversidade do encontro entre livros e leitores. Uma editora que acha que pode ficar de fora dessa equação só pode estar maluca.
Há saída para isso? Os livreiros defendem a fixação do preço dos livros, para evitar a concorrência desleal de quem não precisa da sua venda para sobreviver, até porque os benefícios de uma política de preços predatória são bastante questionáveis. Uma editora que vende a R$ 6 um best-seller pelo qual habitualmente cobra R$ 25 vai buscar a diferença aumentando os preços de seus outros títulos. O que o consumidor economiza num canto, perde no outro. Vários países, entre eles Alemanha e França, vorazes consumidoras de livros e pátrias de encantadoras livrarias, têm trabalhado nessa linha, fazendo leis e acordos bastante positivos.
E faz sentido, a essa altura, lutar contra a força do mercado? Acho que sim: o mercado, como o famoso escorpião da anedota, acaba de mostrar ao mundo a que veio. É possível que, amanhã, a tecnologia mude de tal forma os paradigmas, que livros e livrarias se tornem obsoletos. Até lá, porém, muitos petabytes ainda vão correr pela internet. Por enquanto, as livrarias, assim como a floresta amazônica ou o mico leão dourado, merecem os nossos melhores cuidados e carinhos.
Fonte: Blog da Cora Rónai
(também pulicado em O Globo, Segundo Caderno, 5.3.2008)
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Concurso de Poesia
Fonte: Revista Roteiro Brasília
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Amigos da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB)
No dia 12/02/2009, a "Rede de Amigos da Biblioteca Nacional de Brasília" ganhou mais uma adesão. A livraria Cotidiano tornou-se parceira desta iniciativa, que busca encher de livros as prateleiras da BNB. O estabelecimento é o primeiro a aderir ao projeto. Agora, ao adquirir o livro nos locais que abraçaram a ideia, o doador, além de fortalecer a parceria, poderá obter vantagens em suas compras.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Livros no Oscar
Não é de hoje que a literatura é fonte inesgotável de inspiração para o cinema. Mas neste ano o número de filmes indicados ao Oscar cujo roteiro foi adaptado ou inspirado em livros impressiona. Segundo editores ouvidos pelo GLOBO, se o filme é bom, ele é capaz de alavancar as vendas de livros. O contrário também acontece: quando o filme é ruim, potenciais leitores perdem interesse na obra.
Na longa lista de roteiros adaptados estão "O leitor" (Record), romance do alemão Bernhard Schlink, publicado em 1995, cuja adaptação cinematográfica concorre a cinco Oscars; o conto de Scott Fitzgerald que inspirou "O curioso caso deBenjamin Button", que faz parte da coletânea "Seis contos da era do jazz e outras histórias" (José Olympio), indicado em 13 categorias; "Quem quer ser um milionário?", candidato a 10 estatuetas e baseado em "Sua resposta vale um bilhão" (Companhia das Letras), de Vikas Swarup, e "Foi apenas um sonho", baseado no livro homônimo de Richard Yates (Objetiva/Alfaguara) e indicado a três Oscars.
Uma crise na criação de roteiros pode ser o impulso para uma procura maior de boas histórias na literatura, segundo Luciana Villas Boas, diretora editorial da Record.
- Em geral, quando o filme é bem feito e bem distribuído, seu lançamento causa um efeito positivo sobre o livro. Um exemplo disto é "Meu nome não é Johnny", que antes do filme havia vendido 7 mil exemplares e, após a estréia da adaptação, chegou a 70 mil. No pólo oposto, está "O código Da Vinci". O filme, se não prejudicou, não ajudou em nada o livro - explica Luciana.
A Record, que publica "O leitor" no Brasil, acredita que nas próximas semanas o livro entre na lista dos mais vendidos, graças ao filme. No Estados Unidos, após a estréia do filme, o livro de Bernhard Schlink chegou ao segundo lugar na lista dos mais vendidos.
Especializada em clássicos da literatura nacional e internacional, a editora José Olympio relançou junto com o filme "O curioso caso de Benjamin Button" uma nova edição da coletânea "Seis contos da era do jazz e outras histórias" com uma cinta informando ao leitor que o livro contém o conto no qual o filme foi inspirado.
O sucesso do filme fez com que a primeira edição de tiragem média do livro (cerca de 4 mil exemplares), se esgotasse em 15 dias. A editora Maria Amélia Mello já prepara uma segunda edição, com o mesmo número de exemplares.
- Trata-se de um filme bem feito, inpirado na excelente obra de um grande autor (Scott Fitzgerald). É uma conjugação de fatores que faz com que a vendagem cresça. Aproveitamos a oportunidade (o lançamento do filme), para lançar o livro com nova diagramação, formato e capa. O filme coloca o livro em evidência e atrai um público mais amplo, que não é o tradicional leitor de clássicos - explica Maria Amélia, completando que apesar do pico nas vendas, o livro de Fitzgerald tem vida própria e está no catálogo da editora desde os anos 80. - Não se trata de um best seller e sim de um long seller.
Quando as pessoas se encantam com o filme, vão atrás do livro que o inspirou, avalia Rosemary Alves, editora comercial da Bertrand Brasil, que lançou no Brasil o livro reportagem "Gomorra", de Roberto Saviano.
O filme baseado no livro não entrou na lista de indicados a melhor filme estrangeiro, o que gerou protestos de críticos. No entanto, o livro tem se mantido entre o terceiro e o quarto lugar na lista dos mais vendidos no Brasil.
- Não compro o direito de publicação de um livro porque ele vai ser adaptado ao cinema. Compro porque acredito que o livro mereça ser publicado. Foi assim com "Moça com brinco de pérola" e "Gomorra". Os dois livros são ainda melhores que os filmes - diz Rosemary, citando um exemplo do contrário. - O filme "A casa dos espíritos", baseado na obra de Isabel Allende, foi uma decepção. Às vezes as adaptações ajudam, outras vezes atrapalham.
É mais comum que as pessoas que veem o filme comprem o livro do que o contrário, avalia Rosemary. A editora acredita que o sucesso de vendas de "Gomorra" não se deve ao filme, que entrou em cartaz em um circuito bastante restrito e foi visto por pouco mais de 60 mil espectadores, bem menos que "O curioso caso de Benjamin Button", que já atraiu um público de mais de 1 milhão de pessoas.
Interessante notar que no mercado editorial a relação entre os dois filmes é inversa: "Gomorra" está no topo da lista de vendas, enquanto é provável que "Seis contos da era do jazz e outras histórias" não chegue lá.
Fonte: Jornal O GloboFlipiri
Fonte: Blog Terça Eu Conto Pra VocêHá 10 anos, a empresária Íris Borges construiu em Pirenópolis uma casa para os finais de semana e feriados. Nos intervalos entre o planejamento de feiras do livro de Brasília, organização de associação de autores e atividades nas bienais de São Paulo, Íris fugia para a cidade goiana e alimentava a pequena biblioteca montada para a comunidade na própria casa. Chegou a reunir 250 livros, emprestados diariamente aos pirenopolinos. Hoje ela aposta em passo mais ousado, ao inaugurar a primeira edição da Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri). Até sábado, a cidade histórica a 150Km de Brasília vai sediar 84 atividades ligadas à literatura e receber 17 escritores. Íris confessa que se inspirou no formato e nome da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a maior festa de encontros entre autores e públicos do país. “Há vários modelos de fazer eventos ligados ao livro e esse é o que mais me encanta”, diz. “Pirenópolis é um lugar bonito, charmoso e trabalha os vários tipos de cultura, tem festival de música, festival gastronômico e sempre senti falta de um evento em literatura para comentar a leitura com a população local.” O nervo da Flipiri estará na Casa de Câmara e Cadeia, localizada no centro histórico da cidade e abrigo dos encontros e conversas com autores, livraria, contação de histórias e café literário. A lista de convidados não inclui alguns dos nomes mais representativos da literatura feita em Brasília — como Lourenço Cazarré, Anderson Braga Horta, Nicolas Behr, Margarida Patriota ou João Almino — nem autores locais de Pirenópolis. Realizada com R$ 40 mil graças a um edital dos Correios, a festa não tem caixa para pagar cachês e conta com a colaboração dos integrantes da Casa de Autores nos bate-papos. Assim, Alessandra Roscoe, Alexandre Lobão, Marco Coiatelli, Clara Rosa e João Bosco Bonfim, entre outros, participam dos encontros ao lado de Ignácio de Loyola Brandão, homenageado da festa junto com Maria Eunice Pereira e Pina (in memoriam), Jonas Ribeiro e Hermes Bernardi Jr. Música no coreto da praça, oficinas de teatro com Francis Wilker e de escrita com Lucília Garcez, além de espetáculos e de uma programação cinematográfica que inclui apresentação de O engenho de Zé Lins, de Vladimir Carvalho, estão previstas para os dois dias de festa. Assim como fez em várias edições das feiras do livro de Brasília, Íris planejou ainda um roteiro itinerante. Os autores visitarão quatro escolas de pequenos povoados da região e 10 da própria cidade. Os alunos receberam previamente os livros para poder aproveitar melhor a conversa com os escritores. A intenção de Íris é sensibilizar a população para a literatura. “Embora haja manifestações como uma feira de livro, isso não ocorre muito lá”, diz.
O que fazer na Flipiri
AMANHÃ 9h — Clara Rosa: encontro do leitor com o escritor, na Casa de Câmara e Cadeia; Jonas Ribeiro: contação de histórias, no cinema; e Tatiana Oliveira: encontro com o escritor, no salão paroquial.
10h — Lucília Garcez: encontro com o escritor, na Casa de Câmara e Cadeia; Miquéias Paz: atividade no coreto.
15h — Célia Madureira e Raquel Gonçalves: teatro Deu rato na biblioteca; João Bosco Bonfim: oficina de poesia, na Escola Joaquim Alves; Hermes Bernardi Jr.: encontro com o escritor, na Casa de Câmara e Cadeia.
19h45 — Banda de Couros e cortejo musical, no coreto da praça.
20h — Graça Veloso, com a peça Inderna do intão.
SÁBADO 16h — Ignácio de Loyola Brandão: encontro com o escritor e lançamento de O menino que vendia palavras, na Casa de Câmara e Cadeia.
Fonte: Correio Braziliense
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Retrospectiva 2008 - Destaques na Literatura
Na esteira de outras crises desencadeadas pela pouca prioridade dada à política cultural no país e no Distrito Federal, em particular, o público da capital chegou ao cúmulo de assistir à falta de luz na Feira do Livro, em setembro. Desentendimentos entre organizadores e a Secretaria de Cultura em torno do recurso a ser disponibilizado para o evento provocaram conflitos. Os expositores ameaçaram fechar as portas antes do último dia. O secretário alegou que eles não haviam cumprido trâmites obrigatórios. Perdeu o público, que teve uma feira mais comercial e menos cultural e que, mesmo assim, pouco encontrou de inovador.
A boa nova veio de uma pesquisa nacional que apontou o crescimento nos números relativos à leitura no país. Até a venda de livros porta a porta sentiu os efeitos do maior interesse do brasileiro pelas letras, fato para o qual contribuiu a proliferação de feiras e festas literárias por todo o país: Paraty, Porto Alegre, Porto de Galinhas, Ouro Preto, sem falar nos eventos correlatos menores, como as Primaveras de Livros que movimentam livreiros e consumidores em menor escala.
No plano internacional, o principal prêmio, em prestígio e dinheiro, o Nobel de Literatura, reconheceu a obra do francês J.M.G. Le Clézio, pela capacidade de “ruptura e aventura”. O Prêmio Camões, que destaca obras em língua portuguesa, foi para o baiano João Ubaldo Ribeiro. No Brasil, reinou o catarinense Cristovão Tezza, que papou as principais láureas literárias.
Camões baiano
Em julho, o baiano João Ubaldo Ribeiro tornou-se o oitavo escritor brasileiro a ganhar o Prêmio Camões, criado em 1988 pelos governos de Portugal e Brasil e concedido a autores de língua portuguesa. Pela Objetiva, lançou recentemente ‘O rei da noite’, coletânea de 34 crônicas nas quais descreve, com ironia e piadas, as peripécias vividas pelo escritor para se enquadrar no conceito “qualidade de vida”. Também traz lembranças da Ilha de Itaparica (BA), onde nasceu em 1941, de Aracaju — onde se criou —, histórias de amigos, observações sobre a velhice e curiosidades referentes ao ofício de escrever.
Coelho encalhado
Lançado com estrondo pela Editora Agir, o 12º livro de Paulo Coelho, ‘O vencedor está só’, invadiu as prateleiras das livrarias em agosto com 200 mil exemplares, em embalagem de luxo. Dentro, o autor constrói uma trama policial inverossímil, ambientada no Festival de Cinema de Cannes, por onde circulam atrizes, modelos, magnatas e um serial killer russo. A obra engatinhou algumas semanas na lista dos mais vendidos até sumir de vez. Bem diferente de ‘O alquimista’, lançado pelo escritor há 20 anos e sedimentado em primeiro lugar na relação de best-sellers em 18 países, com saldo de 41 milhões de cópias vendidas. Em outubro, na Feira do Livro de Frankfurt, o carioca de 61 anos recebeu honraria inédita: uma placa do Guinness pela incrível marca de 100 milhões de livros vendidos. A façanha é escorada em 67 traduções em 160 países.
O riso de Tezza
O catarinense Cristóvão Tezza arrebatou os principais prêmios literários com o romance ‘O filho eterno’, publicado pela Record, em julho de 2007, e já na segunda edição. O livro levou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, o Jabuti de melhor romance, o Prêmio São Paulo de Literatura, o Bravo de livro do ano e o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor obra. Nela, o narrador descreve, em primeira pessoa, o choque e a vergonha de ter um filho com síndrome de Down, numa época em que diferenças ainda não eram tema de campanhas de direitos. Uma lembrança cruel lhe rende certo alívio: pensar que essas crianças acabam morrendo cedo. É o 13º livro de Tezza, lançado também na Itália e em Portugal e com editoras contratadas na França, Espanha, Holanda, Austrália e Nova Zelândia.
Nobel de ruptura
O francês Jean-Marie Gustave Le Clézio foi o ganhador do Nobel de Literatura, anunciado em outubro. “Escritor de ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, é um explorador da humanidade além e abaixo da civilização reinante”, justificou a Academia Sueca, que concede prêmio equivalente a R$ 3,4 milhões. Com sina de viajante, o escritor se consagrou com o romance Désert, mas tem também, entre os destaques em sua obra os títulos La fièvre, L’extase matérielle, Terra amata e outros. No Brasil, foram traduzidos O deserto, A procura do ouro, A quarentena, Peixe dourado, O africano e Ballaciner.
Diálogos em Paraty
Na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), 42 autores brasileiros e estrangeiros se reuniram para debater os diálogos da literatura com áreas como cinema, teatro e quadrinhos. Neil Gaiman, criador de Sandman, levou à pequena cidade fluminense o público mais jovem a participar da Flip. O britânico Tom Stoppard, autor de peças inéditas no Brasil, a psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan, e a cineasta argentina Lucrecia Martel estiveram à frente das sessões mais disputadas da festa, ao lado de Gaiman. A literatura de origem africana ganhou destaque com a presença do angolano Pepetela e da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Em 2008, nenhum Nobel visitou a Flip, mas houve aposta em revelações da produção contemporânea, como o americano Nathan Englander e o alemão Ingo Schulze. Entre os homenageados, Machado de Assis, tema de peças e de brilhante palestra de Roberto Schwarz.
Safra de ouro
Há escritores que não param de trabalhar e chegam a lançar quase um livro por ano. É o caso de Philip Roth, que em 2008 teve editado por aqui ‘Fantasma sai de cena’ e, nos Estados Unidos, ‘Indignation’. Para 2009, está no prelo The humbling. José Saramago, depois de passar por grave doença, completou 86 anos enquanto divulgava no Brasil seu novo romance, ‘A viagem do elefante’. De Salman Rushdie, saiu ‘A feiticeira de Florença’. De Peter Carey, ‘Roubo – Uma história de amor’. ‘A estrada’, de Cormac McCarthy, de 2007, chegou ao Brasil neste ano. De Amós Oz, ‘Rimas da vida e da morte’. De William Boyd, ‘As aventuras de um coração humano’. ‘Homem no escuro’, de Paul Auster. ‘Diário de um ano ruim’, de J.M. Coetzee. ‘História do pranto’, de Alan Pauls. ‘A cidade das palavras’, de Alberto Manguel. Entre os autores em língua portuguesa, também muita coisa importante chegou: ‘Rio de flores’, de Miguel Sousa Tavares; ‘Predadores’, de Pepetela; ‘Nação crioula’, de José Eduardo Agualusa; ‘A eternidade e o desejo’, de Inês Pedrosa; ‘Venenos de deus, remédios do diabo’, de Mia Couto; e, de Gonçalo M. Tavares, ‘Histórias falsas’ e ‘O senhor Walser’.
Fonte: Correio Braziliense
sábado, 4 de outubro de 2008
As mudanças na língua portuguesa
domingo, 3 de agosto de 2008
Café e atletas
domingo, 27 de julho de 2008
Casa de Autores reúne 19 escritores em torno de uma assessoria literária em Brasília
Dessa forma, o autor pode mergulhar em seus projetos, cada qual a sua maneira. Para uns, a ânsia de escrever aparece à noite, em plena madrugada, enquanto outros sentem que as idéias ficam mais clarinhas de manhã cedo. Há quem organize o pensamento ao mesmo tempo em que executa tarefas domésticas ou pratica exercícios. Muitos foram abençoados com a inspiração bendita quando tiveram filhos, graças ao eterno hábito de contar histórias. O “era uma vez …” torna-se prelúdio dos sonhos e a voz da mãe ou do pai, o acalanto perfeito.
Generosa, a casa acolhe gente sem preconceito de estilo ou de público. Nela cabem escritores de livros infantis, juvenis e adultos, em forma de conto, poesia ou romance. Graças à iniciativa de João Bosco Bezerra Bonfim e da professora da Universidade de Brasília Rosângela Vieira Rocha, que entraram em contato com Íris Borges em busca de assessoria literária, o grupo foi criado em janeiro deste ano. Desde então, tem reuniões mensais organizadas pela secretária, Josina Magalhães.
Um dos 12 livros de João Bosco, Romance do Vaqueiro Voador, ganhou prêmio de design gráfico, foi adaptado para o cinema por Manfredo Caldas e recebeu, em Toulouse, na França, o prêmio Signis, no 20º Festival de Cinema Latino-americano. João Bosco tem no gênero uma paixão: “Fui letrado no cordel”, orgulha-se o cearense, que costuma se apresentar a caráter, em trajes de vaqueiro. Já Clara Rosa Gomes carrega a boneca gigante Dona Maroca para fazer rir e pensar, enquanto pergunta Quem é o centro do mundo? , título do primeiro livro. As apresentações fazem parte da Vitrine de Autores, atividade planejada para despertar o desejo pelos livros e que pode ser programada em livrarias, bibliotecas, escolas, feiras. Nessas ocasiões, os escritores têm oportunidade de encenar, cantar, contar histórias, ler trechos de contos e poemas, autografar livros, enfim, sair da solidão em frente ao computador e festejar com o público.
Uma festa e tanto já está na agenda do pessoal: de 14 a 24 de agosto, 13 escritores da casa vão se apresentar na 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, preparado para receber 350 expositores nacionais e estrangeiros, num total de 900 selos editoriais e estimativa de 800 mil visitantes. Cinco autores lançarão suas obras: Alessandra Roscoe, Clara Rosa, Tatiana Oliveira, Vera Lúcia Dias e Wilson Pereira. Outra integrante, a jornalista Dad Squarisi, do Correio, fará palestra no espaço Fala, Professor. Cinco dias depois, todos comparecem em peso à Feira do Livro de Brasília, que ocorre de 29 de agosto a 7 de setembro, no Pátio Brasil Shopping. E muitos já sonham com a Feira do Livro de Bolonha, na Itália, em abril de 2009.
Confira aqui o quadro e a lista de autores
Fonte: Correioweb
sexta-feira, 18 de julho de 2008
O ofício de livreiro
(Monteiro Lobato)
terça-feira, 15 de julho de 2008
10 de julho de 2008: 10 anos da Cotidiano!
Arte: Jornal Correio Braziliense
Em 2001, a ameaça do apagão forçou a loja a fechar durante as madrugadas, e estabeleceu-se novo horário: até meia-noite, diariamente. Ruim para os notívagos, ainda bom para pais cujos filhos avisavam, de última hora, sobre aquela cartolina para o trabalho de escola... Corriam todos para a salvadora "Coti".
Em 2003, a livraria ganhou um café maior e um salão para exposições de arte e eventos culturais, tornando-se palco de saraus literários, lançamentos de livros, exposição de fotos e espaço para reuniões de executivos e aulas de inglês, sem perder a característica de ponto de encontro.
"Economia, negócios, filosofia e história são os temas mais procurados", explica Samuel Arantes, que com a ampliação passou a trabalhar em tempo integral na loja, tornando-se seu administrador.
A parceria de sucesso mãe-e-filho foi uma das lojas pioneiras do Shopping Deck Norte, no Lago Norte, em 2007, com a abertura da "Coti Deck", ou "Coti 2"; e Cotidiano Expresso, boutique exclusiva de cafés gourmet. No espaço do Lago Norte são realizadas todas as 2as feiras produtivas palestras de filosofia, ministradas pelo PhD Nelson Lehmann.
Foram 10 anos de muito trabalho, muito suor, dedicação exclusiva, algumas lágrimas (quase todas de emoção), muitas risadas, fortalecimento de antigas amizades e criação de novas, apoio à cultura e ao esporte de Brasília (a Cotidiano é patrocinadora do campeonato local Turmafut - http://www.blogger.com/www.turmafut.com, onde Samuel Arantes também atua como blogueiro, analisando os fatos da semana), e principalmente, amor aos livros.
Que venham os próximos 10, e mais 10, e mais 10!!!
Da esquerda para a direita: fachada da Cotidiano da 201 sul; Ednilce Arantes, proprietária, na inauguração em 10/07/1998; o espaço da livraria antes da ampliação em 2003; a primeira equipe, formada pelos filhos e amigos dos filhos da proprietária; matéria do jornal Correio Braziliense sobre a abertura 24 horas; Ednilce com o poeta Cassiano Nunes; a fachada da filial do Lago Norte; família reunida na inauguração da loja do Lago Norte; Samuel trabalhando na Cotidiano Espresso, boutique exclusiva de cafés gourmet da Cotidiano.segunda-feira, 7 de julho de 2008
Retrospectiva Fotográfica da FLIP 2008
domingo, 6 de julho de 2008
Debates Filosóficos: sempre às 2as feiras
segunda-feira, 30 de junho de 2008
A Economia em Pessoa e em Machado
Eles estão entre os autores mais consagrados da nossa língua: o português Fernando Pessoa e o brasileiro Machado de Assis. Ambos se tornaram célebres por abordarem as angústias, os desejos, expectativas e frustrações humanas. Mas Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, revela que Pessoa e Machado também se preocupavam com problemas, digamos, mais concretos. Ele reuniu em dois livros as opiniões sobre economia dos escritores. Em 'A Economia em Pessoa', discorre sobre as idéias liberais do autor de Mensagem, e em 'A Economia em Machado de Assis' fala sobre o olhar oblíquo do acionista pessimista e irônico em Machado.
Fernando Pessoa costumava assinar seus poemas com nomes falsos, chegou a usar 70 heterônimos, mas era o seu nome verdadeiro que aparecia nos artigos sobre Economia, publicados em 1926, numa revista de comércio e contabilidade.
Entusiasta do progresso, da evolução industrial e comercial, Pessoa, segundo Gustavo Franco, antecipou temas como marketing e globalização. Para Pessoa, o comércio entre as nações também estimulava a troca de informações e idéias.
"Uma vez que meio o comércio traz pra dentro de casa multiculturalismo, traz outras influências sobre a cultura, que cria uma efervescência que, aliás, na época era bastante óbvia".
O poeta era contra a intervenção do estado na economia, como no trecho de Fernando Pessoa: "É, pois, evidente que quanto mais o estado intervém na vida espontânea da sociedade, mais risco há, se não positivamente mais certeza, de a estar prejudicando."
Já Machado de Assis levou para as "crônicas econômicas" a ironia presente em seus principais contos e romances.
Para Gustavo Franco, Machado tinha, em relação à economia, o mesmo olhar oblíquo que caracterizava uma de suas principais personagens, a Capitu de "Dom Casmurro".
"Machado nunca é assertivo... Nunca é defensor de teses nem polêmico, é sempre arrevezado, lateral, irônico, tem um olhar sobre o que é moderno que, às vezes, parece exaltar, às vezes criticar. Por conta disso, é mais aberto, o leitor tá sempre pensando no assunto. Ele é mais instigante".
Inspirado no "Sermão da Montanha", Machado de Assis chegou a escrever um "Sermão do Diabo", uma crítica a abusos cometidos por homens de negócios.
Ele chega a recomendar que se venda gato por lebre. E mais: "assim, se estiveres fazendo as tuas contas, e te lembrar que teu irmão anda meio desconfiado de ti, interrompe as contas, sai de casa, vai ao encontro de teu irmão na rua, restitui-lhe a confiança, e tira-lhe o que ele ainda levar consigo".
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Pequenas Livrarias: Raros Refúgios
Fonte: Jornal Correio Braziliense de 22 de junho de 2008.
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23 de junho: Dia da Língua Portuguesa
"O multilingüismo exprime de fato o respeito mútuo e reforça o diálogo intercultural. A aquisição do conhecimento de fatores lingüísticos ocupa um papel central para que cidadãos participem da vida social e política, do acesso ao saber, do exercício da liberdade de expressão, do usufruto dos direitos fundamentais e da plena participação na vida cultural. Sendo assim, a língua é um pilar real do desenvolvimento sustentável e um espelho da diversidade cultural, em respeito aos povos e seu meio ambiente".
O Diretor-Geral, então, evocou o slogan escolhido pela UNESCO para celebrar o Ano Internacional das Línguas: “As línguas importam!”. Expressando-se em português, o Sr. Matsuura concluiu sua fala citando o poeta português Virgílio Ferreira, "Uma língua é o lugar de onde vemos o mundo e de onde traçamos os limites de nosso pensamento e de nossa sensação".
Fonte: UNESCO Brasil
terça-feira, 17 de junho de 2008
Convite - Lançamento
Autor multi premiado e bastante respeitado por seus pares, João Batista Melo rompe um hiato de nove anos sem lançar com a publicação de O COLECIONADOR DE SOMBRAS. O livro é o quinto na carreira de 17 anos do escritor mineiro, o quarto de contos.
O título faz alusão a uma frase do escritor israelense Amós Oz, que no livro aparece como epígrafe, que fala que “até a sombra tem a sua sombra”. Melo diz que esse talvez seja um dos desafios do contista, enxergar o que os olhos comuns não conseguem apreender. “Nesse sentido, talvez minha obra tenha sempre buscado enxergar essa sombra que, muitas vezes, passa despercebida na vida real.”
Esteticamente, o novo trabalho dá prosseguimento aos livros anteriores. “Desde meu primeiro livro publicado, 'O Inventor de Estrelas', estou sempre em busca dessa releitura do ser humano e de suas experiências aparentemente banais. Tentando enxergar o que existe de poesia, ou de sombrio como é o caso de alguns contos de 'O colecionador de Sombras', o que está por trás dos sentimentos, mais do que os sentimentos em si, dos atores que vivenciam as tramas”, disse.
Alguns contos do livro apontam para o fantástico, gênero pouco explorado na literatura brasileira. O autor admite a influência em sua produção, mas apruma seu foco para um viés diferente do habitual no gênero. “Costumo dizer que o que me atrai não é o fantástico propriamente dito, mas a fronteira entre o real e o fantástico, aquele espaço misterioso no qual não se tem certeza se estamos diante de uma realidade científica e concreta ou de possibilidades imaginárias ou transcendentes.”
João Batista Melo nasceu em Belo Horizonte. Publicou o romance 'Patagônia' (Prêmio Cruz e Sousa) e os livros de contos 'As Baleias do Saguenay' (Prêmio Paraná e Prêmio Cidade de Belo Horizonte), 'O Inventor de Estrelas' (Prêmio Guimarães Rosa) e 'Um Pouco Mais de Swing'. Durante vários anos, atuou como crítico de cinema e de literatura em diversos jornais. Formado em Comunicação Social e mestre em Multimeios, dirigiu três curtas-metragens, um dos quais - Tampinha - premiado, em 2004, como melhor filme no festival Divercine, no Uruguai.
“(...) Melo demonstra possuir traquejo e imaginação prodigiosa ao compor frases e escolher palavras.” - Bernardo Ajzemberg, Folha de S. Paulo
“(...) o que sobressai é o texto altamente sofisticado e uma fértil imaginação.(...) Talvez a maior característica dos contos de João Batista Melo seja a oportunidade que dá ao leitor de completá-los com suas próprias vidas, tão fragmentadas e cheias de incertezas quanto as dos personagens.” - André Luis Mansur, O Globo
