quinta-feira, 23 de abril de 2009

23 de abril: Dia Mundial do Livro


Brasília, 23/4/2009 – Dois dias após o lançamento da Biblioteca Digital Mundial, a UNESCO comemora nesta quinta-feira, 23, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais. Em 2009, a organização destaca a função primordial dos livros para o desenvolvimento de uma educação de qualidade e a ligação entre direitos humanos e acesso universal às publicações.
Segundo o Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, o Dia pode ser inserido no contexto da Década das Nações Unidas da Alfabetização (2003/2012), cujo tema, “Alfabetização é Liberdade”, destaca o efeito emancipatório dos livros. “Esses laços são essenciais, especialmente se considerarmos o livro como principal meio para ensinar homens, mulheres e grupos sociais mais marginalizados a ler e a escrever em um mundo onde um entre cada cinco adultos são analfabetos.”
A data de celebração do Dia Mundial do Livro, escolhida em função da morte de três grandes escritores da história em 23 de abril de 1616 – Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Inca Garcilaso de La Veja –, também é o marco de sucessão entre as cidades anualmente escolhidas como Capital Mundial do Livro, título lançado pela UNESCO em 2001. Este ano, Beirute (Líbano) assume o posto de Amsterdam (Países Baixos).
Além de Beirute e Amsterdam, foram escolhidas como Capital Mundial do Livro as seguintes cidades: Madrid (Espanha, 2001), Alexandria (Egito, 2002), Nova Deli (Índia, 2003), Antuérpia (Bélgica, 2004), Montreal (Canadá, 2005), Turim (Itália, 2006) e Bogotá (Colômbia, 2007).

domingo, 8 de março de 2009

Florestas (de idéias) ameaçadas

Uma boa livraria é um ecossistema delicado. Para que dê certo não basta juntar um monte de livros; é preciso saber dosar a mistura, acrescentando ao óbvio maravilhas inesperadas, extravagâncias que ninguém tem dinheiro para comprar mas todos adoram folhear, miudezas simpáticas, descobertas especiais. Pode-se abrir um pequeno café nos fundos, um barzinho, um restaurante; pode-se, ainda, juntar algumas poltronas e enfeites a gosto -- mas tudo isso é acessório. O segredo está mesmo na seleção e na exposição dos livros. A Livraria da Travessa, a Da Conde e a Argumento, por exemplo, para ficar só no Leblon, vendem quase as mesmas coisas – mas que diferença faz este “quase”! As três não poderiam ter personalidades mais distintas.
O que faz a delícia de quem ama livrarias é curtir as suas idiossincrasias e especialidades -- e se familiarizar de tal forma com a disposição dos livros que consiga até achar o que não está procurando. Há duas semanas, escrevi sobre um delicioso livrinho chamado “Hotel Yoga”, que descobri na Travessa. Pois “descobrir” é o verbo certo: o coitado não é best-seller, não saiu por nenhuma grande editora, não teve uma linha de publicidade em lugar algum. Eu sequer sabia da sua existência!
Ora, o que permite toda essa bibliodiversidade não é, evidentemente, a venda dos “Hotel Yoga” da vida, mas a dos best-sellers. Os livros que permanecem indefinidamente na lista de mais vendidos são o motor do mercado: saem sozinhos, aos montes, e com isso permitem aos livreiros o luxo de manter em estoque não só aqueles deslumbrantes livros de arte que folheamos platonicamente, como todo o rico caldo de cultura formado pelos clássicos, pela poesia, por livros menos conhecidos mas nem por isso menos interessantes. Em suma, o vasto conjunto que dá a cada livraria o seu jeito particular de ser, já que a massa uniforme dos best-sellers encontra-se até no supermercado.
Pois aí está, justamente, uma das grandes ameaças ao meio-ambiente livreiro. Um caso recente e exemplar é o do formidável “1808”, de Laurentino Gomes, que custa cerca de R$ 40, e que passou o carnaval a R$ 9,90 num empório online. Parece ótimo negócio para o consumidor, e é mesmo, mas apenas a curtíssimo prazo. “1808” é vendido às livrarias por cerca de R$ 25. Com o lucro da venda de um único home theater o tal empório recupera o prejuízo e segue feliz. Já a livraria, que não vende nada além de livros, está frita: ninguém precisa ter PhD em economia para saber que vender a R$ 9,90 algo que se comprou a R$ 25 é péssimo negócio.
Tá, dirão vocês, e nós com isso? Quem é o idiota que vai dar R$ 40 por um livro que pode comprar a R$ 9,90? As livrarias que se virem! É verdade. Só que, não tendo como se virar, as livrarias vão mudar de ramo. Vão passar a vender yogoberry, lingerie ou celulares. Problema das livrarias, certo? Errado: os livros que vendem pouco e que precisam das livrarias para alcançar o público raramente chegam às megastores -- se é que chegam. E como o mercado é feito de reações em cadeia, as pequenas editoras que os publicam, e que muitas vezes têm a audácia e o jogo de cintura que as grande já perderam, vão ficando pelo caminho.
Por mais que eu não resista a uma boa oferta e adore comprar pela internet, tenho calafrios ao imaginar um mundo sem livrarias, ou um mundo de livrarias de best-sellers, todas igualmente destituídas de personalidade, como as livrarias de aeroporto. Brrrrrrrrrr!!!
* * *
Conversando com amigos livreiros, descobri que esse caso do “1808” pode ser ainda mais perverso do que eu imaginava. Aparentemente, há editoras que vendem lotes de livros abaixo do preço para conquistar a boa vontade de mega vendedores para futuras encomendas. Se assim é, estamos não só diante de uma bizarra prática de autodumping, mas de um tiro no pé potencialmente suicida. A memória de um país, a sua força intelectual e a sua cultura literária dependem da diversidade do encontro entre livros e leitores. Uma editora que acha que pode ficar de fora dessa equação só pode estar maluca.
Há saída para isso? Os livreiros defendem a fixação do preço dos livros, para evitar a concorrência desleal de quem não precisa da sua venda para sobreviver, até porque os benefícios de uma política de preços predatória são bastante questionáveis. Uma editora que vende a R$ 6 um best-seller pelo qual habitualmente cobra R$ 25 vai buscar a diferença aumentando os preços de seus outros títulos. O que o consumidor economiza num canto, perde no outro. Vários países, entre eles Alemanha e França, vorazes consumidoras de livros e pátrias de encantadoras livrarias, têm trabalhado nessa linha, fazendo leis e acordos bastante positivos.
E faz sentido, a essa altura, lutar contra a força do mercado? Acho que sim: o mercado, como o famoso escorpião da anedota, acaba de mostrar ao mundo a que veio. É possível que, amanhã, a tecnologia mude de tal forma os paradigmas, que livros e livrarias se tornem obsoletos. Até lá, porém, muitos petabytes ainda vão correr pela internet. Por enquanto, as livrarias, assim como a floresta amazônica ou o mico leão dourado, merecem os nossos melhores cuidados e carinhos.

Fonte: Blog da Cora Rónai
(também pulicado em O Globo, Segundo Caderno, 5.3.2008)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Concurso de Poesia

Estão abertas as inscrições para o Concurso de Poesia Fernando Mendes Vianna, promovido pela Associação Nacional de Escritores e pela Editora Thesaurus. Até 30 de março os interessados podem mandar seus poemas inéditos – um mínimo de 30 – para a sede da ANE: SEP Sul 707/907 – Bloco F, Edifício Escritor Almeida Fischer, Cep: 70359-970. O primeiro colocado vai ter seu trabalho publicado em livro. Informações nos telefones 3242.3642 e 3244.3576, ou no e-mail ane.df@terra.com.br.

Fonte: Revista Roteiro Brasília

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Amigos da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB)

Fonte da foto: Blog Resumo do Cenário
O projeto "Rede de Amigos da Biblioteca Nacional de Brasília" já está em pleno andamento.
O projeto consiste na criação de uma rede de voluntários, em que cada integrante fará a doação de um livro novo para o acervo da BNB. Os livros a serem comprados e doados serão indicados pelos gestores do projeto junto à BNB, por meio de listas de aquisições. Dessa forma, ajudando a criar um acervo com obras novas e úteis, estaremos atendendo às demandas da nossa comunidade. Muitas já são as pessoas que se dispuseram a adquirir e doar livros para a Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) e que, por sua vez, já estão formando novos grupos de colaboradores, espalhando a ídeia e dando continuidade à iniciativa.
A Livraria Cotidiano é nossa primeira livraria parceira.
No dia 12/02/2009, a "Rede de Amigos da Biblioteca Nacional de Brasília" ganhou mais uma adesão. A livraria Cotidiano tornou-se parceira desta iniciativa, que busca encher de livros as prateleiras da BNB. O estabelecimento é o primeiro a aderir ao projeto. Agora, ao adquirir o livro nos locais que abraçaram a ideia, o doador, além de fortalecer a parceria, poderá obter vantagens em suas compras.
E conheça a BNB: www.bnb.df.gov.br

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Livros no Oscar

Avalanche de filmes baseados em obras literárias indicados ao Oscar movimenta mercado editorial

Não é de hoje que a literatura é fonte inesgotável de inspiração para o cinema. Mas neste ano o número de filmes indicados ao Oscar cujo roteiro foi adaptado ou inspirado em livros impressiona. Segundo editores ouvidos pelo GLOBO, se o filme é bom, ele é capaz de alavancar as vendas de livros. O contrário também acontece: quando o filme é ruim, potenciais leitores perdem interesse na obra.

Na longa lista de roteiros adaptados estão "O leitor" (Record), romance do alemão Bernhard Schlink, publicado em 1995, cuja adaptação cinematográfica concorre a cinco Oscars; o conto de Scott Fitzgerald que inspirou "O curioso caso deBenjamin Button", que faz parte da coletânea "Seis contos da era do jazz e outras histórias" (José Olympio), indicado em 13 categorias; "Quem quer ser um milionário?", candidato a 10 estatuetas e baseado em "Sua resposta vale um bilhão" (Companhia das Letras), de Vikas Swarup, e "Foi apenas um sonho", baseado no livro homônimo de Richard Yates (Objetiva/Alfaguara) e indicado a três Oscars.


Uma crise na criação de roteiros pode ser o impulso para uma procura maior de boas histórias na literatura, segundo Luciana Villas Boas, diretora editorial da Record.

- Em geral, quando o filme é bem feito e bem distribuído, seu lançamento causa um efeito positivo sobre o livro. Um exemplo disto é "Meu nome não é Johnny", que antes do filme havia vendido 7 mil exemplares e, após a estréia da adaptação, chegou a 70 mil. No pólo oposto, está "O código Da Vinci". O filme, se não prejudicou, não ajudou em nada o livro - explica Luciana.

A Record, que publica "O leitor" no Brasil, acredita que nas próximas semanas o livro entre na lista dos mais vendidos, graças ao filme. No Estados Unidos, após a estréia do filme, o livro de Bernhard Schlink chegou ao segundo lugar na lista dos mais vendidos.

Especializada em clássicos da literatura nacional e internacional, a editora José Olympio relançou junto com o filme "O curioso caso de Benjamin Button" uma nova edição da coletânea "Seis contos da era do jazz e outras histórias" com uma cinta informando ao leitor que o livro contém o conto no qual o filme foi inspirado.

O sucesso do filme fez com que a primeira edição de tiragem média do livro (cerca de 4 mil exemplares), se esgotasse em 15 dias. A editora Maria Amélia Mello já prepara uma segunda edição, com o mesmo número de exemplares.

- Trata-se de um filme bem feito, inpirado na excelente obra de um grande autor (Scott Fitzgerald). É uma conjugação de fatores que faz com que a vendagem cresça. Aproveitamos a oportunidade (o lançamento do filme), para lançar o livro com nova diagramação, formato e capa. O filme coloca o livro em evidência e atrai um público mais amplo, que não é o tradicional leitor de clássicos - explica Maria Amélia, completando que apesar do pico nas vendas, o livro de Fitzgerald tem vida própria e está no catálogo da editora desde os anos 80. - Não se trata de um best seller e sim de um long seller.

Quando as pessoas se encantam com o filme, vão atrás do livro que o inspirou, avalia Rosemary Alves, editora comercial da Bertrand Brasil, que lançou no Brasil o livro reportagem "Gomorra", de Roberto Saviano.

O filme baseado no livro não entrou na lista de indicados a melhor filme estrangeiro, o que gerou protestos de críticos. No entanto, o livro tem se mantido entre o terceiro e o quarto lugar na lista dos mais vendidos no Brasil.

- Não compro o direito de publicação de um livro porque ele vai ser adaptado ao cinema. Compro porque acredito que o livro mereça ser publicado. Foi assim com "Moça com brinco de pérola" e "Gomorra". Os dois livros são ainda melhores que os filmes - diz Rosemary, citando um exemplo do contrário. - O filme "A casa dos espíritos", baseado na obra de Isabel Allende, foi uma decepção. Às vezes as adaptações ajudam, outras vezes atrapalham.

É mais comum que as pessoas que veem o filme comprem o livro do que o contrário, avalia Rosemary. A editora acredita que o sucesso de vendas de "Gomorra" não se deve ao filme, que entrou em cartaz em um circuito bastante restrito e foi visto por pouco mais de 60 mil espectadores, bem menos que "O curioso caso de Benjamin Button", que já atraiu um público de mais de 1 milhão de pessoas.

Interessante notar que no mercado editorial a relação entre os dois filmes é inversa: "Gomorra" está no topo da lista de vendas, enquanto é provável que "Seis contos da era do jazz e outras histórias" não chegue lá.

Fonte: Jornal O Globo

Flipiri

Sede da primeira edição da Flipiri, Pirenópolis recebe, de hoje a sábado, 17 escritores e promove 84 atividades.

Fonte: Blog Terça Eu Conto Pra Você


Há 10 anos, a empresária Íris Borges construiu em Pirenópolis uma casa para os finais de semana e feriados. Nos intervalos entre o planejamento de feiras do livro de Brasília, organização de associação de autores e atividades nas bienais de São Paulo, Íris fugia para a cidade goiana e alimentava a pequena biblioteca montada para a comunidade na própria casa. Chegou a reunir 250 livros, emprestados diariamente aos pirenopolinos. Hoje ela aposta em passo mais ousado, ao inaugurar a primeira edição da Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri). Até sábado, a cidade histórica a 150Km de Brasília vai sediar 84 atividades ligadas à literatura e receber 17 escritores. Íris confessa que se inspirou no formato e nome da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a maior festa de encontros entre autores e públicos do país. “Há vários modelos de fazer eventos ligados ao livro e esse é o que mais me encanta”, diz. “Pirenópolis é um lugar bonito, charmoso e trabalha os vários tipos de cultura, tem festival de música, festival gastronômico e sempre senti falta de um evento em literatura para comentar a leitura com a população local.” O nervo da Flipiri estará na Casa de Câmara e Cadeia, localizada no centro histórico da cidade e abrigo dos encontros e conversas com autores, livraria, contação de histórias e café literário. A lista de convidados não inclui alguns dos nomes mais representativos da literatura feita em Brasília — como Lourenço Cazarré, Anderson Braga Horta, Nicolas Behr, Margarida Patriota ou João Almino — nem autores locais de Pirenópolis. Realizada com R$ 40 mil graças a um edital dos Correios, a festa não tem caixa para pagar cachês e conta com a colaboração dos integrantes da Casa de Autores nos bate-papos. Assim, Alessandra Roscoe, Alexandre Lobão, Marco Coiatelli, Clara Rosa e João Bosco Bonfim, entre outros, participam dos encontros ao lado de Ignácio de Loyola Brandão, homenageado da festa junto com Maria Eunice Pereira e Pina (in memoriam), Jonas Ribeiro e Hermes Bernardi Jr. Música no coreto da praça, oficinas de teatro com Francis Wilker e de escrita com Lucília Garcez, além de espetáculos e de uma programação cinematográfica que inclui apresentação de O engenho de Zé Lins, de Vladimir Carvalho, estão previstas para os dois dias de festa. Assim como fez em várias edições das feiras do livro de Brasília, Íris planejou ainda um roteiro itinerante. Os autores visitarão quatro escolas de pequenos povoados da região e 10 da própria cidade. Os alunos receberam previamente os livros para poder aproveitar melhor a conversa com os escritores. A intenção de Íris é sensibilizar a população para a literatura. “Embora haja manifestações como uma feira de livro, isso não ocorre muito lá”, diz.

O que fazer na Flipiri

AMANHÃ
9h — Clara Rosa: encontro do leitor com o escritor, na Casa de Câmara e Cadeia; Jonas Ribeiro: contação de histórias, no cinema; e Tatiana Oliveira: encontro com o escritor, no salão paroquial.
10h — Lucília Garcez: encontro com o escritor, na Casa de Câmara e Cadeia; Miquéias Paz: atividade no coreto.
15h
— Célia Madureira e Raquel Gonçalves: teatro Deu rato na biblioteca; João Bosco Bonfim: oficina de poesia, na Escola Joaquim Alves; Hermes Bernardi Jr.: encontro com o escritor, na Casa de Câmara e Cadeia.
19h45 — Banda de Couros e cortejo musical, no coreto da praça.
20h — Graça Veloso, com a peça Inderna do intão.

SÁBADO
16h — Ignácio de Loyola Brandão: encontro com o escritor e lançamento de O menino que vendia palavras, na Casa de Câmara e Cadeia.

Fonte:
Correio Braziliense


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Retrospectiva 2008 - Destaques na Literatura

No ano em que se comemoravam dois centenários expressivos para a cultura brasileira — o de nascimento de Guimarães Rosa e o de morte de Machado de Assis, apenas o segundo obteve repercussão à altura do maior nome nacional na área. Reedições da obra, descoberta de aspectos pouco evidenciados, celebrações em semanas e encontros por todo o país culminaram com a bela adaptação da obra-prima ‘Dom Casmurro’ para a tevê, na forma da revolucionária minissérie ‘Capitu’, de Luiz Fernando Carvalho. Do criador de ‘Grande sertão: veredas’, vieram algumas reedições, seminários e análises, mas nada que alcançasse a grandiosidade de uma obra magna.
Na esteira de outras crises desencadeadas pela pouca prioridade dada à política cultural no país e no Distrito Federal, em particular, o público da capital chegou ao cúmulo de assistir à falta de luz na Feira do Livro, em setembro. Desentendimentos entre organizadores e a Secretaria de Cultura em torno do recurso a ser disponibilizado para o evento provocaram conflitos. Os expositores ameaçaram fechar as portas antes do último dia. O secretário alegou que eles não haviam cumprido trâmites obrigatórios. Perdeu o público, que teve uma feira mais comercial e menos cultural e que, mesmo assim, pouco encontrou de inovador.
A boa nova veio de uma pesquisa nacional que apontou o crescimento nos números relativos à leitura no país. Até a venda de livros porta a porta sentiu os efeitos do maior interesse do brasileiro pelas letras, fato para o qual contribuiu a proliferação de feiras e festas literárias por todo o país: Paraty, Porto Alegre, Porto de Galinhas, Ouro Preto, sem falar nos eventos correlatos menores, como as Primaveras de Livros que movimentam livreiros e consumidores em menor escala.
No plano internacional, o principal prêmio, em prestígio e dinheiro, o Nobel de Literatura, reconheceu a obra do francês J.M.G. Le Clézio, pela capacidade de “ruptura e aventura”. O Prêmio Camões, que destaca obras em língua portuguesa, foi para o baiano João Ubaldo Ribeiro. No Brasil, reinou o catarinense Cristovão Tezza, que papou as principais láureas literárias.

Camões baiano
Em julho, o baiano João Ubaldo Ribeiro tornou-se o oitavo escritor brasileiro a ganhar o Prêmio Camões, criado em 1988 pelos governos de Portugal e Brasil e concedido a autores de língua portuguesa. Pela Objetiva, lançou recentemente ‘O rei da noite’, coletânea de 34 crônicas nas quais descreve, com ironia e piadas, as peripécias vividas pelo escritor para se enquadrar no conceito “qualidade de vida”. Também traz lembranças da Ilha de Itaparica (BA), onde nasceu em 1941, de Aracaju — onde se criou —, histórias de amigos, observações sobre a velhice e curiosidades referentes ao ofício de escrever.

Coelho encalhado
Lançado com estrondo pela Editora Agir, o 12º livro de Paulo Coelho, ‘O vencedor está só’, invadiu as prateleiras das livrarias em agosto com 200 mil exemplares, em embalagem de luxo. Dentro, o autor constrói uma trama policial inverossímil, ambientada no Festival de Cinema de Cannes, por onde circulam atrizes, modelos, magnatas e um serial killer russo. A obra engatinhou algumas semanas na lista dos mais vendidos até sumir de vez. Bem diferente de ‘O alquimista’, lançado pelo escritor há 20 anos e sedimentado em primeiro lugar na relação de best-sellers em 18 países, com saldo de 41 milhões de cópias vendidas. Em outubro, na Feira do Livro de Frankfurt, o carioca de 61 anos recebeu honraria inédita: uma placa do Guinness pela incrível marca de 100 milhões de livros vendidos. A façanha é escorada em 67 traduções em 160 países.

O riso de Tezza
O catarinense Cristóvão Tezza arrebatou os principais prêmios literários com o romance ‘O filho eterno’, publicado pela Record, em julho de 2007, e já na segunda edição. O livro levou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, o Jabuti de melhor romance, o Prêmio São Paulo de Literatura, o Bravo de livro do ano e o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor obra. Nela, o narrador descreve, em primeira pessoa, o choque e a vergonha de ter um filho com síndrome de Down, numa época em que diferenças ainda não eram tema de campanhas de direitos. Uma lembrança cruel lhe rende certo alívio: pensar que essas crianças acabam morrendo cedo. É o 13º livro de Tezza, lançado também na Itália e em Portugal e com editoras contratadas na França, Espanha, Holanda, Austrália e Nova Zelândia.

Nobel de ruptura
O francês Jean-Marie Gustave Le Clézio foi o ganhador do Nobel de Literatura, anunciado em outubro. “Escritor de ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, é um explorador da humanidade além e abaixo da civilização reinante”, justificou a Academia Sueca, que concede prêmio equivalente a R$ 3,4 milhões. Com sina de viajante, o escritor se consagrou com o romance Désert, mas tem também, entre os destaques em sua obra os títulos La fièvre, L’extase matérielle, Terra amata e outros. No Brasil, foram traduzidos O deserto, A procura do ouro, A quarentena, Peixe dourado, O africano e Ballaciner.

Diálogos em Paraty
Na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), 42 autores brasileiros e estrangeiros se reuniram para debater os diálogos da literatura com áreas como cinema, teatro e quadrinhos. Neil Gaiman, criador de Sandman, levou à pequena cidade fluminense o público mais jovem a participar da Flip. O britânico Tom Stoppard, autor de peças inéditas no Brasil, a psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan, e a cineasta argentina Lucrecia Martel estiveram à frente das sessões mais disputadas da festa, ao lado de Gaiman. A literatura de origem africana ganhou destaque com a presença do angolano Pepetela e da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Em 2008, nenhum Nobel visitou a Flip, mas houve aposta em revelações da produção contemporânea, como o americano Nathan Englander e o alemão Ingo Schulze. Entre os homenageados, Machado de Assis, tema de peças e de brilhante palestra de Roberto Schwarz.

Safra de ouro
Há escritores que não param de trabalhar e chegam a lançar quase um livro por ano. É o caso de Philip Roth, que em 2008 teve editado por aqui ‘Fantasma sai de cena’ e, nos Estados Unidos, ‘Indignation’. Para 2009, está no prelo The humbling. José Saramago, depois de passar por grave doença, completou 86 anos enquanto divulgava no Brasil seu novo romance, ‘A viagem do elefante’. De Salman Rushdie, saiu ‘A feiticeira de Florença’. De Peter Carey, ‘Roubo – Uma história de amor’. ‘A estrada’, de Cormac McCarthy, de 2007, chegou ao Brasil neste ano. De Amós Oz, ‘Rimas da vida e da morte’. De William Boyd, ‘As aventuras de um coração humano’. ‘Homem no escuro’, de Paul Auster. ‘Diário de um ano ruim’, de J.M. Coetzee. ‘História do pranto’, de Alan Pauls. ‘A cidade das palavras’, de Alberto Manguel. Entre os autores em língua portuguesa, também muita coisa importante chegou: ‘Rio de flores’, de Miguel Sousa Tavares; ‘Predadores’, de Pepetela; ‘Nação crioula’, de José Eduardo Agualusa; ‘A eternidade e o desejo’, de Inês Pedrosa; ‘Venenos de deus, remédios do diabo’, de Mia Couto; e, de Gonçalo M. Tavares, ‘Histórias falsas’ e ‘O senhor Walser’.

Fonte: Correio Braziliense

sábado, 4 de outubro de 2008

As mudanças na língua portuguesa

A corrida para edição de livros nas editoras já começou. O Ministério da Educação deu prazo de até 2010 para a adaptação. O fim do trema e mudanças no uso do hífen estão entre as novidades.

domingo, 3 de agosto de 2008

Café e atletas

A prática de exercícios tornou-se uma rotina comum e saudável na sociedade moderna, sendo a corrida a forma mais comum. Outras atividades como natação, ciclismo, futebol, vôlei, basquete e esportes com raquetes (tênis, "squash") envolve um número enorme de participantes. Este exercício soma-se ao gasto energético efetuado nos locais de trabalho do ser humano, sendo menor nas sociedades sedentárias. Antes da Revolução Industrial, o trabalho braçal humano era responsável por 30 % da energia gasta nas fábricas e no campo. Na atualidade, nos países ricos e nas camadas dominantes dos países pobres, este gasto energético equivale a menos de 1%. Isto criou a forma sedentária de vida, algo recente na história da humanidade, acostumada a uma intensa atividade física em sua evolução. Um grande número de doenças podem ser influenciadas pelo exercício, como asma ou mesmo prevenidas em sua ocorrência, como problemas cardiovasculares.O exercício pode ser dividido em isométrico e isotônico dependendo do tipo de atividade muscular realizada. Na contração isométrica ocorre um aumento na tensão muscular sem uma mudança significativa no comprimento da fibra muscular. Nenhum trabalho externo é realizado, mas energia é gasta de forma substancial, como no halterofilismo. Em contraste, o exercício isotônico envolve o encurtamento das fibras musculares com pouco aumento na tensão, como na natação, no ciclismo ou nas corridas. A maioria dos outros exercícios envolve elementos isotônicos e isométricos.O exercício isométrico e o isotônico diferem substancialmente nos seus efeitos fisiológicos. O exercício isométrico aumenta a resistência vascular periférica de forma generalizada, ao mesmo tempo que causa um aumento na pressão sanguínea sistólica e diastólica com pouco aumento no volume sistólico e no débito cardíaco. No exercício isotônico, a resistência vascular periférica total cai, mas a freqüência e o débito cardíaco aumentam. A pressão sistólica aumenta significativamente, com pouca alteração da diastólica, o que causa um discreto aumento na pressão arterial média. O trabalho isométrico causa uma sobrecarga de pressão ao coração, enquanto que o exercício isotônico causa uma sobrecarga de volume. Os efeitos hemodinâmicos do exercício isométrico dependem de sua intensidade. Diferentes grupos musculares também causam diferentes alterações hemodinâmicos durante o exercício.Atividades com os membros superiores causam um maior aumento na freqüência cardíaca e na pressão sanguínea do que atividades com os membros inferiores, para um mesmo consumo de oxigênio ou idêntico trabalho realizado. O exercício isométrico aumenta a força e a massa muscular. Atletas competitivos podem ser bastante beneficiados pelos exercícios isométricos. Pacientes em reabilitação devido problemas musculoesqueléticos também podem ser beneficiados por exercícios isométricos para aumentarem sua força muscular, principalmente quando a imobilização articular limita exercícios dinâmicos. Entretanto, o exercício isométrico estático produz uma discreto condicionamento cardiovascular e as alterações circulatórias causadas pelo exercício isométrico podem ser prejudiciais ao paciente cardiopata. Por outro lado, o exercício isotônico dinâmico é mais benéfico e produz alterações cardiovasculares de adaptação úteis em atletas e em pacientes. Por isto, a melhor e mais saudável forma de exercício é a atividade dinâmica isotônica.O exercício físico pode trazer grandes benefícios psicológicos ao ser humano, produzindo estimulação e relaxamento psíquico. Uma melhora do humor, da auto-estima e da capacidade de trabalho tem sido observada em pessoas saudáveis e em pessoas submetidas a reabilitação cardíaca. Exercícios agudos aliviam a ansiedade e a tensão, embora a duração seja temporária por 2 a 5 horas. A atividade física reduz o risco de aparecimento de depressão e a incidência de depressão em pacientes com predisposição para tal, além de haver uma melhor capacidade de adaptação ao estresse.Durante o exercício físico ocorrem alterações nos níveis plasmáticos de monoaminas e de neuropeptídeos no sistema nervoso central, causando profundas mudanças nas funções neuroendócrinas. Inúmeras funções neurológicas, como respostas visuais evocadas, condução nervosa periférica e tempo de reação aumentam com um bom condicionamento físico, enquanto que os níveis de beta-endorfina plasmática aumentam no exercício aeróbico agudo. O treinamento físico também pode diminuir o catabolismo das endorfinas, sendo possível supor que as alterações nos níveis de peptídeos opióides endógenos mediados pelo exercício físico podem causar mudanças subjetivas e do humor do atleta, benéficas não apenas na atividade física, mas no perfil psicológico do individuo.Corredores de maratona e atletas de outras formas de exercício intenso aumentam os níveis de endorfina no cérebro, criando uma forma de auto-gratificação interna ("self-reward"). Isto faz com que o atleta treinado siga adiante ao atingir um ponto máximo de cansaço, que leva todas as pessoas sem treinamento a pararem por fadiga.Caso os atletas tomassem café diariamente durante os treinos, na dose mínima de 4 xícaras, é possível imaginar que os ácidos clorogênicos do café bloqueariam os receptores que são estimulados pelas endorfinas, peptídeos opióides cerebrais. Isto faria com que os neurônios do cérebro aumentassem sua descarga de endorfinas para trazer o estímulo necessário para o atleta prosseguir, atingindo a auto-gratificação num nível mais alto. Atletas assim treinados, teriam um cérebro trabalhando contra uma resistência a auto-gratificação. E quando esta resistência fosse retirada, certamente este cérebro estaria com uma maior capacidade de produzir a auto-gratificação. Deste forma, atletas treinados consumindo diariamente café, caso parassem de tomá-lo na véspera e nos dias de competição, poderiam ter sua performance aumentada de forma significativa, sem qualquer tipo de "doping". Apenas aumentando, além da capacidade dos músculos, a capacidade do cérebro de prosseguir mais além.
Darcy Roberto LimaPh.D em Medicina pela Universidade de Londres e coordenador científico do Projeto Café e Saúde.

domingo, 27 de julho de 2008

Casa de Autores reúne 19 escritores em torno de uma assessoria literária em Brasília

Brasília ganhou mais uma casa para enriquecer seu patrimônio: a Casa de Autores, grupo formado por 19 escritores que resolveram se unir para tratar em conjunto de questões literárias. A criação permanece individual, mas todo o resto recebe assessoria da livreira Iris Borges, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro e com três décadas de experiência no setor: ela dirige uma distribuidora no DF, a Arco-Íris, participa da organização da Feira do Livro e freqüenta eventos literários mundo afora. “Faço essa ponte entre o escritor e as editoras para que o trabalho deles fique mais conhecido. Também entro em contato com as escolas para incentivar a leitura no DF”, resume a agente, que cuida de detalhes práticos como organização do original, contratos, direitos autorais, lançamentos, oficinas e palestras.

Dessa forma, o autor pode mergulhar em seus projetos, cada qual a sua maneira. Para uns, a ânsia de escrever aparece à noite, em plena madrugada, enquanto outros sentem que as idéias ficam mais clarinhas de manhã cedo. Há quem organize o pensamento ao mesmo tempo em que executa tarefas domésticas ou pratica exercícios. Muitos foram abençoados com a inspiração bendita quando tiveram filhos, graças ao eterno hábito de contar histórias. O “era uma vez …” torna-se prelúdio dos sonhos e a voz da mãe ou do pai, o acalanto perfeito.

Generosa, a casa acolhe gente sem preconceito de estilo ou de público. Nela cabem escritores de livros infantis, juvenis e adultos, em forma de conto, poesia ou romance. Graças à iniciativa de João Bosco Bezerra Bonfim e da professora da Universidade de Brasília Rosângela Vieira Rocha, que entraram em contato com Íris Borges em busca de assessoria literária, o grupo foi criado em janeiro deste ano. Desde então, tem reuniões mensais organizadas pela secretária, Josina Magalhães.

Um dos 12 livros de João Bosco, Romance do Vaqueiro Voador, ganhou prêmio de design gráfico, foi adaptado para o cinema por Manfredo Caldas e recebeu, em Toulouse, na França, o prêmio Signis, no 20º Festival de Cinema Latino-americano. João Bosco tem no gênero uma paixão: “Fui letrado no cordel”, orgulha-se o cearense, que costuma se apresentar a caráter, em trajes de vaqueiro. Já Clara Rosa Gomes carrega a boneca gigante Dona Maroca para fazer rir e pensar, enquanto pergunta Quem é o centro do mundo? , título do primeiro livro. As apresentações fazem parte da Vitrine de Autores, atividade planejada para despertar o desejo pelos livros e que pode ser programada em livrarias, bibliotecas, escolas, feiras. Nessas ocasiões, os escritores têm oportunidade de encenar, cantar, contar histórias, ler trechos de contos e poemas, autografar livros, enfim, sair da solidão em frente ao computador e festejar com o público.

Uma festa e tanto já está na agenda do pessoal: de 14 a 24 de agosto, 13 escritores da casa vão se apresentar na 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, preparado para receber 350 expositores nacionais e estrangeiros, num total de 900 selos editoriais e estimativa de 800 mil visitantes. Cinco autores lançarão suas obras: Alessandra Roscoe, Clara Rosa, Tatiana Oliveira, Vera Lúcia Dias e Wilson Pereira. Outra integrante, a jornalista Dad Squarisi, do Correio, fará palestra no espaço Fala, Professor. Cinco dias depois, todos comparecem em peso à Feira do Livro de Brasília, que ocorre de 29 de agosto a 7 de setembro, no Pátio Brasil Shopping. E muitos já sonham com a Feira do Livro de Bolonha, na Itália, em abril de 2009.

Confira aqui o quadro e a lista de autores

Fonte: Correioweb

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O ofício de livreiro

"Entre os mais humildes comércios do mundo está o do livreiro. Embora sua mercadoria seja a base da civilização, pois é nela que se fixa a experiência humana, o livro não interessa ao nosso estômago nem à nossa vaidade. Não é, portanto, compulsoriamente adquirido. O pão diz ao homem: ou me compras ou morres de fome; o batom diz à mulher: ou me compras ou te acharão feia. E ambos são ouvidos. Mas se o livro alega que sem ele a ignorância se perpetua, os ignorantes dão de ombros, porque é próprio da ignorância sentir-se feliz em si mesma, como o porco com a lama. O livreiro vende o artigo mais difícil de vender-se. Qualquer outro lhe daria maiores lucros; ele o sabe e heroicamente permanece livreiro. E é graças a esta generosa abnegação que a árvore da cultura vai aos poucos aprofundando as suas raízes e dilatando a sua fronde. Suprima-se o livreiro e estará morto o livro - e com a morte do livro retrocederemos à idade da pedra, transfeitos em tapuias comedores de bichos de pau podre. A civilização vê no livreiro o abnegado zelador da lâmpada em que arde, perpétua, a trêmula chamazinha da cultura."
(Monteiro Lobato)

terça-feira, 15 de julho de 2008

10 de julho de 2008: 10 anos da Cotidiano!

Foi em 1997, em uma viagem à Europa, que Ednilce Arantes se encantou com as livrarias e cafés franceses, onde o cliente tinha a liberdade de ler um livro sem compromisso, tomar um café, bater um papo... De volta ao Brasil, a vontade de fazer algo igual não saía de sua cabeça, e no final desse ano, veio o empurrão que faltava: a aposentadoria. E com ela, o tempo para procurar um local adequado, fazer o projeto, começar a obra, e por fim, inaugurar a loja!
Em 10 de julho de 1998, era inaugurada na 201 sul, próxima ao Setor de Autarquias, a primeira Cotidiano, livraria de conveniência, que nos primeiros anos funcionou por 24 horas.


Arte: Jornal Correio Braziliense

A Cotidiano sempre foi um ponto de encontro de amigos e familiares. Foi ali, por exemplo, o primeiro emprego de quase todos os filhos e amigos dos filhos da proprietária (que, carinhosamente, apelidaram a loja de "Coti"). Ali também os amigos se encontravam depois da balada para tomar o último lanche da noite. Os insones eram assíduos freqüentadores nos tempos em que a livraria funcionou por 24 horas.
Em 2001, a ameaça do apagão forçou a loja a fechar durante as madrugadas, e estabeleceu-se novo horário: até meia-noite, diariamente. Ruim para os notívagos, ainda bom para pais cujos filhos avisavam, de última hora, sobre aquela cartolina para o trabalho de escola... Corriam todos para a salvadora "Coti".
Em 2003, a livraria ganhou um café maior e um salão para exposições de arte e eventos culturais, tornando-se palco de saraus literários, lançamentos de livros, exposição de fotos e espaço para reuniões de executivos e aulas de inglês, sem perder a característica de ponto de encontro.
"Economia, negócios, filosofia e história são os temas mais procurados", explica Samuel Arantes, que com a ampliação passou a trabalhar em tempo integral na loja, tornando-se seu administrador.
A parceria de sucesso mãe-e-filho foi uma das lojas pioneiras do Shopping Deck Norte, no Lago Norte, em 2007, com a abertura da "Coti Deck", ou "Coti 2"; e Cotidiano Expresso, boutique exclusiva de cafés gourmet. No espaço do Lago Norte são realizadas todas as 2as feiras produtivas palestras de filosofia, ministradas pelo PhD Nelson Lehmann.

Foram 10 anos de muito trabalho, muito suor, dedicação exclusiva, algumas lágrimas (quase todas de emoção), muitas risadas, fortalecimento de antigas amizades e criação de novas, apoio à cultura e ao esporte de Brasília (a Cotidiano é patrocinadora do campeonato local Turmafut - http://www.blogger.com/www.turmafut.com, onde Samuel Arantes também atua como blogueiro, analisando os fatos da semana), e principalmente, amor aos livros.

Que venham os próximos 10, e mais 10, e mais 10!!!




Da esquerda para a direita: fachada da Cotidiano da 201 sul; Ednilce Arantes, proprietária, na inauguração em 10/07/1998; o espaço da livraria antes da ampliação em 2003; a primeira equipe, formada pelos filhos e amigos dos filhos da proprietária; matéria do jornal Correio Braziliense sobre a abertura 24 horas; Ednilce com o poeta Cassiano Nunes; a fachada da filial do Lago Norte; família reunida na inauguração da loja do Lago Norte; Samuel trabalhando na Cotidiano Espresso, boutique exclusiva de cafés gourmet da Cotidiano.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Retrospectiva Fotográfica da FLIP 2008

Retrospectiva em fotos.
As ruas de pedra do centro histórico de Paraty, apelidadas pela população local de “pé de moleque”, se transformaram durante os cinco dias da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty - num efervescente e animado ponto de encontro de amantes da literatura. No meio dessas vias estreitas, nos restaurantes e nos bares, durante todo o dia era freqüente se deparar com algum dos escritores brasileiros e estrangeiros que participaram das 19 mesas da programação e que reuniram, ao todo, quarenta autores – 22 brasileiros e 18 estrangeiros. Ao apresentar o balanço do evento, Mauro Munhoz, diretor geral da FLIP, informou que a tenda dos Autores e a do Telão receberam, juntas, cerca de 35 mil espectadores. Neste ano, a difusão do conteúdo proveniente dos depoimentos dos escritores ganhou um importante apoio, que possibilitou ampliar a abrangência e a mobilidade do acesso. Pela primeira vez, as mesas foram transmitidas online, com uma audiência que, já no segundo dia, aproximou-se das 4 mil visitas. Também foi criado um blog e postados vídeos no youtube.A importância da iniciativa para a literatura foi igualmente destacada no balanço de encerramento. “A FLIP é a melhor porta de entrada de um autor no Brasil”, destacou Flávio Moura, diretor de programação da FLIP 2008 e que terá o mesmo papel na edição do ano que vem. “A FLIP é cada vez mais uma chancela fundamental que orienta o que vale e o que não vale a pena ler”, completou.

domingo, 6 de julho de 2008

Debates Filosóficos: sempre às 2as feiras

"Origens de Nossas Idéias"
Debates Filosóficos / Série de Palestras
Todas as 2as feiras a partir de 20h com o Professor Nelson Lehmann - PhD
Local: Cotidiano Livraria - Shopping Deck Norte-Lago Norte
A participação é gratuita, mas solicitamos inscrição prévia: cotidiano.livraria@gmail.com
ou em nossa lojas:
*Cotidiano Livraria - Deck Norte Shopping
CA 01, Bloco A Lj 12/13 Lago Norte
Tel. : 3468-4302
*Cotidiano Livraria - 201 sul
CLS 201 , Bloco C , Lojas 15/19 - Asa Sul
Tel. : 3224-3439

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A Economia em Pessoa e em Machado

O economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, debruçou-se sobre a obra de dois dos maiores escritores em português para descobrir o que eles pensavam sobre economia.
Eles estão entre os autores mais consagrados da nossa língua: o português Fernando Pessoa e o brasileiro Machado de Assis. Ambos se tornaram célebres por abordarem as angústias, os desejos, expectativas e frustrações humanas. Mas Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, revela que Pessoa e Machado também se preocupavam com problemas, digamos, mais concretos. Ele reuniu em dois livros as opiniões sobre economia dos escritores. Em 'A Economia em Pessoa', discorre sobre as
idéias liberais do autor de Mensagem, e em 'A Economia em Machado de Assis' fala sobre o olhar oblíquo do acionista pessimista e irônico em Machado.
"Acho que Pessoa é pedagógico. São textos escritos num período de tempo curto, seis meses, de uma publicação mensal, em que ele quer ensinar economia e administração de empresa. Machado, não. Machado não queria ensinar economia a ninguém, era um observador, oblíquo, irônico. Nesse sentido, é uma observação muito mais leve, próxima do cidadão comum", diz Franco.
Fernando Pessoa costumava assinar seus poemas com nomes falsos, chegou a usar 70 heterônimos, mas era o seu nome verdadeiro que aparecia nos artigos sobre Economia, publicados em 1926, numa revista de comércio e contabilidade.
Entusiasta do progresso, da evolução industrial e comercial, Pessoa, segundo Gustavo Franco, antecipou temas como marketing e globalização. Para Pessoa, o comércio entre as nações também estimulava a troca de informações e idéias.
"Uma vez que meio o comércio traz pra dentro de casa multiculturalismo, traz outras influências sobre a cultura, que cria uma efervescência que, aliás, na época era bastante óbvia".
O poeta era contra a intervenção do estado na economia, como no trecho de Fernando Pessoa: "É, pois, evidente que quanto mais o estado intervém na vida espontânea da sociedade, mais risco há, se não positivamente mais certeza, de a estar prejudicando."
Já Machado de Assis levou para as "crônicas econômicas" a ironia presente em seus principais contos e romances.
Para Gustavo Franco, Machado tinha, em relação à economia, o mesmo olhar oblíquo que caracterizava uma de suas principais personagens, a Capitu de "Dom Casmurro".
"Machado nunca é assertivo... Nunca é defensor de teses nem polêmico, é sempre arrevezado, lateral, irônico, tem um olhar sobre o que é moderno que, às vezes, parece exaltar, às vezes criticar. Por conta disso, é mais aberto, o leitor tá sempre pensando no assunto. Ele é mais instigante".
Inspirado no "Sermão da Montanha", Machado de Assis chegou a escrever um "Sermão do Diabo", uma crítica a abusos cometidos por homens de negócios.
Ele chega a recomendar que se venda gato por lebre. E mais: "assim, se estiveres fazendo as tuas contas, e te lembrar que teu irmão anda meio desconfiado de ti, interrompe as contas, sai de casa, vai ao encontro de teu irmão na rua, restitui-lhe a confiança, e tira-lhe o que ele ainda levar consigo".
No site de Franco há disponíveis trechos de 'A Economia em Machado de Assis' e resenhas sobre 'A Economia em Pessoa'.
Gustavo Franco estará em Paraty durante a FLIP 2008. Na sexta-feira, dia 04/07, ele autografa o seu livro 'A economia em Machado de Assis' e conversa com o público sobre as crônicas que o escritor publicou em jornais da época, comentando, entre outras coisas, a situação econômica do período. Na Casa de Cultura de Paraty, às 18h. Imperdível!

Fonte: página de Gustavo Franco e de Jorge Zahar Editor. Texto de matéria do Jornal da Globo de 20/12/2007.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pequenas Livrarias: Raros Refúgios

Quando não chega à livraria no horário de costume, Marisa Vasconcelos vai logo brincando com os funcionários, pedindo para não cortarem seu ponto. Freqüentadora do Café com Letras, a professora aposentada de 69 anos acredita que o ambiente de uma livraria faz toda a diferença. "Nas lojas pequenas, não tem aquela coisa de mil atendentes cercando você, a gente fica mais à vontade para olhar tudo. A relação é mais pessoal, você sabe quem trabalha lá, conhece outros clientes, conversa sobre livros. As livrarias dos shoppings parecem supermercados", compara. A relação afetiva de leitores como Marisa com livreiros e suas pequenas lojas vem ficando cada vez mais rara. Crises econômicas, baixas vendas, má administração e concorrência predatória são alguns dos motivos que levam uma livraria a fechar as portas. Ao longo das décadas, Brasília amargou a perda de diversos pontos de referência cultural – a Casa do Livro e a Livraria Presença são apenas dois bons exemplos. Entre mortos e feridos, as independentes continuam – mesmo que, entra ano, sai ano, uma delas não prossiga no mercado. "O advento das lojas de grandes redes deu uma baqueada nas livrarias menores. Elas conseguem barganhar descontos com os distribuidores que são impraticáveis para nós", aponta Samuel Arantes, 28 anos, administrador da Cotidiano Livraria de Conveniência. "Ninguém agüenta a competição. O mercado no qual trabalhamos é coisa de Dom Quixote", afirma Luíza Martins Neiva, 53, proprietária do Café com Letras, fazendo referência ao cavaleiro da triste figura que enfrentava moinho de vento. Se no quesito preço as grandes levam vantagem, as pequenas se diferenciam em outros aspectos. Acervo e atendimento são dois dos mais prezados pelos clientes. Proprietária do Rayuela Bistrô, Juliana Monteiro, 30, cita o exemplo de livros publicados por editoras alternativas, que muitas vezes não chegam às lojas maiores: "Há dois anos, eu estava atrás de obras de autores latino-americanos. Tive um título específico na loja, vendi e depois não encontrei mais em nenhum lugar. Como eu escolho o que entra na livraria, dou preferência a livros de giro mais lento, que podem até demorar a sair, mas um dia serão comprados", explica. A comodidade de ir a uma livraria longe do ambiente movimentado e barulhento dos shopping centers é outro ponto positivo das lojas de quadra. "Vendi muito bem na época do Dia dos Namorados. As pessoas entravam, escolhiam rapidamente –até porque minha loja é menor –, pagavam e iam embora", lembra Márcio Castagnaro, 36 anos, dono da Dom Quixote.
Fino atendimento
Na avaliação de Cida Caldas, 44 anos, proprietária do Sebinho, muitos de seus vizinhos da comercialda 406 Norte (área que se notabilizou pela concentração de livrarias) poderiam ter continuado na ativa. "Acho que falta gente entendida do assunto para trabalhar nas livrarias", aponta. Seus funcionários, por exemplo, são alunos do curso de Letras na Universidade de Brasília. "Notamos que o atendimento faz a diferença. Se o cliente for fidelizado, não vai nos trocar por umaloja de shopping", aposta. Tradicional ponto de venda de livros usados na cidade (há 22 anos no ramo), o Sebinho vem gradualmente procurando novidades para atrair a clientela. Parte de seu subsolo é usado para atividades culturais (palestras, cursos) e obras novas já podem ser encontradas nas prateleiras. "Percebi que se eu não tivesse um livro novo na loja, as pessoas comprariam em outro lugar", reconhece.
"As livrarias têm de encontrar seus nichos", arrisca Samuel Arantes, da Cotidiano – cujo destaque é o acervo de psicologia, história e filosofia. A loja também oferece serviços de cafeteria, cyber café e papelaria. "Nosso carro-chefe são os livros, mas eles são apenas 55% da loja", avalia.
O Rayuela, que começou como café e livraria, expandiu e hoje abriga também um restaurante. "Nossa intenção inicial era viabilizar a livraria com o café, mas vimos que não daria certo desta forma", acrescenta Juliana Monteiro. Luíza Martins Neiva defende a lei do preço fixo para livros: "Temos que brigar para que essa lei seja aprovada e colocada em prática". Para ela, a idéia de uma livraria pequena numa quadra comercial tem um quê de romântico. "Não posso dizer que a loja é rentável. Só continuo porque fechar a livraria seria como tirar um pedaço de mim", confessa. Márcio Castagnaro é mais otimista: "Se livro não fosse um bom negócio, as grandes livrarias não estariam vindo para Brasília. Se a concorrência aumenta, temos que trabalhar mais, pois a cidade tem um grande potencial". Caso atípico é o da Briquet de Lemos. "Abri a loja depois de aposentado e com os filhos criados. A poupança me permitiu montar a loja aos poucos, sem correr riscos de me endividar", explica o exprofessor de biblioteconomia Briquet de Lemos. Especializada em arte e arquitetura, a livraria logo conquistou sua fatia de mercado. "Mas foi preciso paciência, muita paciência", admite. Para ele, as lojas pequenas continuarão a existir: "As quitandas – onde os funcionários o atendem pelo nome – não foram destruídas pelos supermercados".


Fonte: Jornal Correio Braziliense de 22 de junho de 2008.



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23 de junho: Dia da Língua Portuguesa

Foto: © Nações Unidas - Símbolo da CPLP
No dia 23 de junho de 2008 o Diretor-Geral da UNESCO, Sr. Koïchiro Matsuura, se reuniu com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para celebrar o Dia da Língua Portuguesa na UNESCO. Este evento foi organizado pela terceira vez pelo grupo de Estados Membros da UNESCO pertencentes à CPLP.
Em seu pronunciamento, o Diretor-Geral enfatizou a significância particular desta celebração em 2008, por ocasião do Ano Internacional das Línguas, “que a promoção e a proteção de todas as línguas, a diversidade lingüística e o multilingüismo estão dentre as questões que dizem respeito às Nações Unidas”. O Sr. Matsuura lembrou que a língua portuguesa está classificada em quinto lugar dentre as línguas mais faladas do mundo e dispões de um status oficial nas várias organizações regionais e sub-regionais. “Esta celebração do Dia da Língua Portuguesa [...] feita de maneira honrosa, ecoa à estratégia da UNESCO para a promoção das línguas e do multilingüismo”, afirmou ele.
"O multilingüismo exprime de fato o respeito mútuo e reforça o diálogo intercultural. A aquisição do conhecimento de fatores lingüísticos ocupa um papel central para que cidadãos participem da vida social e política, do acesso ao saber, do exercício da liberdade de expressão, do usufruto dos direitos fundamentais e da plena participação na vida cultural. Sendo assim, a língua é um pilar real do desenvolvimento sustentável e um espelho da diversidade cultural, em respeito aos povos e seu meio ambiente".
O Diretor-Geral, então, evocou o slogan escolhido pela UNESCO para celebrar o Ano Internacional das Línguas: “As línguas importam!”. Expressando-se em português, o Sr. Matsuura concluiu sua fala citando o poeta português Virgílio Ferreira, "Uma língua é o lugar de onde vemos o mundo e de onde traçamos os limites de nosso pensamento e de nossa sensação".

Fonte: UNESCO Brasil

terça-feira, 17 de junho de 2008

Convite - Lançamento

"O Colecionador de Sombras", de João Batista Melo
Dia 24 de junho, na Cotidiano da 201 sul, a partir de 18h30
(clique na imagem)


Autor multi premiado e bastante respeitado por seus pares, João Batista Melo rompe um hiato de nove anos sem lançar com a publicação de O COLECIONADOR DE SOMBRAS. O livro é o quinto na carreira de 17 anos do escritor mineiro, o quarto de contos.
O título faz alusão a uma frase do escritor israelense Amós Oz, que no livro aparece como epígrafe, que fala que “até a sombra tem a sua sombra”. Melo diz que esse talvez seja um dos desafios do contista, enxergar o que os olhos comuns não conseguem apreender. “Nesse sentido, talvez minha obra tenha sempre buscado enxergar essa sombra que, muitas vezes, passa despercebida na vida real.”
Esteticamente, o novo trabalho dá prosseguimento aos livros anteriores. “Desde meu primeiro livro publicado, 'O Inventor de Estrelas', estou sempre em busca dessa releitura do ser humano e de suas experiências aparentemente banais. Tentando enxergar o que existe de poesia, ou de sombrio como é o caso de alguns contos de 'O colecionador de Sombras', o que está por trás dos sentimentos, mais do que os sentimentos em si, dos atores que vivenciam as tramas”, disse.
Alguns contos do livro apontam para o fantástico, gênero pouco explorado na literatura brasileira. O autor admite a influência em sua produção, mas apruma seu foco para um viés diferente do habitual no gênero. “Costumo dizer que o que me atrai não é o fantástico propriamente dito, mas a fronteira entre o real e o fantástico, aquele espaço misterioso no qual não se tem certeza se estamos diante de uma realidade científica e concreta ou de possibilidades imaginárias ou transcendentes.”
João Batista Melo nasceu em Belo Horizonte. Publicou o romance 'Patagônia' (Prêmio Cruz e Sousa) e os livros de contos 'As Baleias do Saguenay' (Prêmio Paraná e Prêmio Cidade de Belo Horizonte), 'O Inventor de Estrelas' (Prêmio Guimarães Rosa) e 'Um Pouco Mais de Swing'. Durante vários anos, atuou como crítico de cinema e de literatura em diversos jornais. Formado em Comunicação Social e mestre em Multimeios, dirigiu três curtas-metragens, um dos quais - Tampinha - premiado, em 2004, como melhor filme no festival Divercine, no Uruguai.
“(...) Melo demonstra possuir traquejo e imaginação prodigiosa ao compor frases e escolher palavras.” - Bernardo Ajzemberg, Folha de S. Paulo
“(...) o que sobressai é o texto altamente sofisticado e uma fértil imaginação.(...) Talvez a maior característica dos contos de João Batista Melo seja a oportunidade que dá ao leitor de completá-los com suas próprias vidas, tão fragmentadas e cheias de incertezas quanto as dos personagens.” - André Luis Mansur, O Globo